Artigo de opinião de Diogo Abecasis, no Jornal Construir

Artigo de opinião de Diogo Abecasis, no Jornal Construir

Novos tempos, novos desafios!
 

Neste artigo de opinião para o Jornal Construir, Diogo Guerra Abecasis, cofundador e administrador da MAP Engenharia, fala-nos sobre o cenário atual do setor da construção e do imobiliário, e os desafios que se estão a fazer sentir.

“Vivemos num mundo e numa sociedade, onde os acontecimentos além-fronteiras acabam por ter um reflexo imediato na economia global, que à posteriori afetam localmente a nossa economia, o nosso trabalho e, no final do dia, as vidas de todos nós.

De saída de uma crise pandémica muito complexa, que afetou de forma imprevisível os últimos dois anos das nossas vidas, deparamo-nos agora com a guerra na Ucrânia, uma situação que jamais esperaríamos que pudesse acontecer em pleno século XXI na Europa, mas a verdade é que está a acontecer há mais de dois meses e, infelizmente, sem final à vista.  

Apesar de serem duas situações totalmente distintas, ambas têm um impacto direto na economia global que acaba por afetar irremediavelmente o setor da construção e do imobiliário.

Com a crise pandémica, o setor da construção deu uma verdadeira demonstração de adaptabilidade, de resiliência e de profissionalismo, conseguindo em tempo recorde adaptar-se à nova realidade que estávamos a viver, não parar a sua atividade, continuando sempre a produzir nas diversas obras e fábricas pelo País fora, e tão importante que foi para a economia nacional, onde outros setores foram obrigados a parar ou a abrandar. Por exemplo, a MAP conseguiu um aumento de 75% do seu volume de negócios no ano de 2021, em cenário de pandemia.       

Agora, perante esta nova crise internacional, provocada pela guerra na Ucrânia, acredito que mais uma vez o setor da construção estará à altura dos novos desafios que teremos pela frente, e irá resistir, sempre com firmeza e determinação, e por vezes imaginação para ultrapassar os obstáculos que vão surgindo. Aliás, temos de enfrentar estes novos tempos difíceis com o otimismo possível, em primeiro lugar acreditando que o conflito na Ucrânia seja resolvido com celeridade e da melhor forma possível, evitando a morte do maior número de pessoas, que sem dúvida é a prioridade máxima, e também apoiando, incondicionalmente, a reconstrução daquele País amplamente destruído. 

A situação que estamos atualmente a viver tem um impacto direto na nossa atividade, e acaba por trazer novas variáveis que não existiam num clima de estabilidade. Após o início da guerra, assistimos a um aumento exponencial dos preços de custo de vários materiais, da energia, dos combustíveis, da produção em fábrica e da distribuição. A título de exemplo, o aço em varão, subiu em apenas duas semanas cerca de 60%, fixando o valor da tonelada nessa data em aproximadamente 1.300€, um autêntico valor recorde.

Esta alteração anormal de circunstâncias colocou-nos a todos perante uma situação extraordinária que, num curto espaço de tempo, ocorreu um aumento muito significativo do custo global da construção, bem superior ao que se verificara nos dois anos de pandemia.  

Como sempre, o mercado reage rápido e está a adaptar-se a esta nova realidade e aos poucos vai-se ajustando, encontrando novas fórmulas e mecanismos de regulação para a variação dos preços da construção, há semelhança do que já sucede nas obras públicas, que acaba por ser a solução mais justa e equilibrada para quem contrata e para quem executa uma determinada Empreitada. Ou seja, uma Obra é contratada num determinado momento, pelo valor mais competitivo do mercado, e ao longo da sua execução, o valor da produção mensal é ajustado para baixo ou para cima consoante a variação dos índices de revisão de preços de referência aplicáveis a cada caso. Acredito inclusive que no futuro, este tipo de mecanismos de atualização de preços, serão também aplicáveis aos Clientes finais, por exemplo no valor de aquisição de um apartamento ou de uma casa que esteja em construção.    

Mas aproveito para passar uma mensagem de otimismo.  Acredito muito no futuro de Portugal, um país que está cada vez mais a afirmar-se como um dos melhores destinos mundiais para viver, trabalhar, investir e visitar, e onde as oportunidades de negócio se multiplicam em várias áreas, continuando o setor da construção muito pojante e dinâmico.  Por exemplo, neste momento na MAP Engenharia estamos com uma carteira de negócios contratada de cerca de 80 milhões de euros, distribuída pelas diversas áreas de negócio, turística, residencial, escritórios, educação, logística e serviços.

Este cenário atual, no que diz respeito às questões energéticas e à escassez de determinadas matérias primas, poderá e deverá também acelerar todos os players do mercado na procura de materiais e soluções alternativas, mais sustentáveis, na recirculação e aproveitamento de matérias primas existentes, e na preocupação de construir Edifícios cada vez mais eficientes energeticamente e “amigos” do ambiente.”

(Jornal Construir)